quarta-feira, 8 de junho de 2011

União Europeia / Desunião Europeia....

Sou por norma um crítico da União Europeia, não propriamente da união, mas sim do modelo em que ela assenta. Assim, nunca é possível construir uma verdadeira união de estados, quer política, quer económica nem mesmo social que afinal era o principal objectivo.
Este modelo, que assenta num todo poderoso núcleo central, liderado pela Alemanha, está a conduzir a União Europeia para um abismo que mais tarde ou mais cedo a levará ao desmembramento ou à União Europeia de primeira e segunda classe.
A tão "badalada" união económica traduz-se basicamente na injecção de milhões de euros, aquando da adesão de um determinado país à união, em que a principal preocupação dos receptores é gastá-los dentro dos prazos limite (para mim um dos principais problemas) que são sempre muito curtos, e sem o mínimo de rigor, quer por parte dos próprios países quer pela união, através dos Quadro Comunitários de Apoio.
Lamentável também é o facto de não existir na União Europeia uma agência de Rating, de modo a "livrar-se" das agências americanas, com alguns critérios bastante dúbios, que tem como principal objectivo especular e lançar dúvidas e incertezas sobre os mercados dos países europeus. O resultado desta desunião económica é a instabilidade do Euro, que "tremelica" a todo o momento correndo mesmo sérios riscos.

 A união social, traduz-se apenas e só na livre circulação de pessoas porque, no que respeita à inclusão social e diminuição da pobreza, a União Europeia produz um efeito contrário, isto é, maior exclusão e mais pobreza em especial nos países ditos mais pobres.
Quanto à política, nem vale a pena falar, porque quem dita as regras são aqueles que sentam mais deputados no parlamento europeu e que através das "malditas Quotas" conseguem aniquilar por completo as economias mais fracas e proteger ou mesmo aumentar as deles.
Para complicar ainda mais a situação dos países de "segunda linha", são as insinuações absurdas lançadas sistematicamente por políticos dos países mais ricos. A liderar este ranking, está a chanceler Alemã com afirmações descabidas e sem fundamento como: "os do Sul tem que trabalhar mais" (quando trabalhamos mais do que ela) ou mesmo culpabilizar a Espanha, pela propagação da bactéria E-coli, através dos seus produtos hortícolas, sem terem a mínima certeza da origem do problema. Porque é que a Alemanha não duvidou das salsichas alemãs ou mesmo da cerveja? Talvez aí esteja o problema! É que não lhes convinha lançar suspeitas sobre os seus produtos, e com a brincadeira, arruinaram por uns tempos a horticultura de uns quantos países do sul. Agora, até vai ser a União Europeia com o dinheiro de todos, a pagar as indemnizações devido às insinuações da toda poderosa Alemanha. E assim, com "golpes baixos", lá vão conseguindo "conquistar" a Europa apoiados na União Europeia, ou melhor na desunião europeia.
Está à vista de todos, e os países mais desenvolvidos da UE sabem que este modelo não funciona nem nunca poderá funcionar, mas convém-lhes. Não estarão eles mais interessados na desunião europeia? Creio que sim, porque assim têm mais a lucrar do que com uma verdadeira União Europeia.
Eduardo Dias 


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ibéria... A união de Espanha e Portugal.

Podem acusar-me de não ser patriota. Sou quanto baste.
Podem acusar-me de não ter "orgulho" no meu país. Detesto a palavra "orgulho"... e não a utilizo no meu vocabulário.
Podem acusar-me de desrespeitar um país com quase 900 anos de história. É falso. Tenho o maior respeito.
Mas, a minha opinião é que não vivemos do passado, mas sim do presente e do futuro. A História do país está escrita, registada e impossível de eliminar.
Sou defensor de uma união Ibérica, que até podia ter o bonito nome de IBÉRIA, da qual resultariam grandes vantagens para os dois países: Espanha e Portugal.
Esta minha convicção não é recente e também não tem nada a ver com o actual momento crítico em que o país se encontra ou com uma tentativa de nos retirarem do "fundo do poço" em que nos encontramos, até porque Espanha não está muito melhor.
Não acredito no actual modelo da União Europeia e cada vez mais são as potências económicas a ditar as regras tanto nos continentes como a nível mundial. Na União Europeia, esse poderio é alarmante e cada vez mais sufocante. Então porque não criar uma potência de "2ª linha"?
A Ibéria teria vantagens económicas, sociais, políticas e militares tanto para Espanha como para Portugal e aproveitando as vantagens geoestratégicas de ambos os países era a melhor forma da Ibéria se poder  afirmar tanto ao nível europeu como mundial.
É um facto que não seria um processo fácil, mas
com empenho político de ambos os países, consultas populares e uma análise cuidada da constituição portuguesa e espanhola, de modo a torná-la numa só, poderia levar-nos à criação de um novo Estado: a Ibéria.
Para os mais cépticos ou patriotas, esta união não poderia ser comparada com as que já houve no passado (Dinastia Filipina ou mesmo antes da criação de Portugal em 1143), mas sim uma união livre e democrática ao contrário das anteriores. É evidente que perderíamos a soberania portuguesa, mas ganhávamos a soberania Ibérica e como disse anteriormente a História está meticulosamente registada, catalogada e impossível de eliminar.
Cada vez mais os dois países se estão a tornar "germano dependentes", não por vontade própria, mas por imposição. As últimas declarações da srª Merkel em relação a Portugal, Espanha e também à Grécia, a exigir menos férias e mais horas de trabalho,entre outras, são no mínimo humilhantes para ambos os países. A Alemanha não conquistou a Europa pela via militar (com o Hitler), mas conquista-a agora pela via económica, é a minha convicção. A srª Merkel é soberana sim, mas que o seja no seu país, pois nós dispensamos os seus "recados".
Aproveitando as boas relações entre os dois países e a conturbada situação económica e social da União Europeia, talvez esta fosse a altura ideal para iniciar contactos de ambas as partes para a criação do estado da Ibéria. Quem sabe.... um dia.
Por mim, Ibéria já. É a minha opinião.... 

 Eduardo Dias 

terça-feira, 26 de abril de 2011

Cão de Água Português/Casa da Buba...


Há uns dias atrás tive uma experiência única e maravilhosa! Uma visita a um criador do Cão de Água Português, mais propriamente à Casa da Buba em Lagos (Algarve).Sempre gostei de animais e sempre preferi os felinos aos caninos mas, admito, esta raça de cães deixou-me um pouco baralhado quanto às preferências. Brincalhões, bonitos, meigos e mais espetacular é a forma como se relacionam com os "Humanos" mesmo que desconhecidos.

Senti-me um puto no meio de tantos cães, cada um deles a tentar ao máximo captar a atenção ou mesmo o melhor ângulo para uma foto. É sem dúvida um animal/cão diferente.

Conhecidos pelos seus auxílios a marinheiros, para eles a água é como a terra, estes amigos dos homens do mar, e da terra, são diferentes e em minha opinião são um pouco mais que "o melhor amigo do Homem".
Aliado a estes fenomenais caninos está o seu criador, o senhor Rodrigo Pinto, que nos recebeu com toda a amabilidade, simpatia e disponibilidade. Dele transbordava felicidade e carinho perante os seus cães de água e da sua obra "A Casa da Buba", que é também hotel para cães.

 A ele, por mim e pelos meus filhos o meu muito obrigado. Vou lá voltar mais vezes.... Garanto.
Eduardo Dias

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Portugal, à rasca...

Depois da geração à rasca, temos agora o país inteiro à rasca, com um futuro sombrio e cheio de incertezas.
O mais preocupante é ver como as pessoas que o lideram, ou pretendem liderar, não estejam à altura das funções que desempenham, descridibilizando assim os órgãos de soberania.
Quando devia haver uma união entre os mesmos para começar a recuperar o país, eis que surge o impensável e vemos agora os principais políticos portugueses a entrarem numa "guerra suja" de palavras, digna de uma baixeza tal que põe em causa a estabilidade política, económica e social de uma nação.
Quando digo órgãos de soberania refiro-me a todos, porque não vejo da parte do governo, assembleia da república ou mesmo do Presidente da República uma tentativa ou até uma obrigatoriedade de reconciliação.
Será tão difícil uma união/reconciliação?
Será tão difícil dar um "murro na mesa"?
Será tão difícil engolir uns "sapinhos"?
Provavelmente depois vão engolir uns sapos do tamanho de Portugal.
Com uma oposição irresponsável e infantil, um governo reincidente na arrogância e teimosia e um Presidente da República mais do que pacífico, Portugal caminha a passos largos para se tornar o "patinho feio" da União Europeia, o coitadinho e o delírio dos especuladores.

Começam a ser quase diárias as atitudes deprimentes por parte dos políticos, como os insultos, o espicaçar de um lado e do outro, a falta de diálogo, já para não falar de faltas de respeito como: O Primeiro Ministro abandonar o parlamento quando apresentava mais um PEC, um ministro das finanças que abandona o Parlamento (temporariamente) quando discursava quem lhe dava mais luta (Manuela Ferreira Leite), ou mesmo um líder da oposição que vai dizer para o Wall Street journal que Portugal não vai conseguir cumprir as metas do déficit etc...
São atitudes e afirmações irresponsáveis e baixas de mais para pessoas que deviam dar o exemplo e cuja formação parece estar muito aquém dos cargos que ocupam e para os quais foram eleitos pela população.
É destas pessoas, aliás destes políticos, que os especuladores e as agências de Ratting gostam, mas que em minha opinião não merecem o respeito por parte de quem os elegeu  em democracia.
Eduardo Dias

sábado, 19 de fevereiro de 2011

As poderosas redes sociais!

Quando em novembro de 2009 escrevi neste Blog sobre as redes sociais, alertei para o seu "poder" e a força que estas têm junto da sociedade. Não me enganei e agora digo mesmo que mais do que poderosas, são poderosíssimas e capazes de desencadear até uma guerra mundial.
Elas são as principais responsáveis pelo que se está a passar actualmente no mundo árabe e o efeito "bola de neve" parece continuar e estender-se a outros países, fora do mundo árabe. Angola pode ser o próximo.
Tunísia, Egito, Yémen, Líbia, Jordânia, Bharain e Irão, já sofreram os efeitos das poderosas redes sociais, em que com um simples clik, se convocam, organizam e comandam manifestações contra os regimes políticos, nestes casos. Os efeitos tem sido catastróficos na maioria dos casos de tal modo que começam a custar dezenas de vidas humanas.
Até agora, tem alastrado no mundo árabe, mas imaginem que a situação tem efeito contágio e começa a alastrar mais para ocidente? E, se em vez de se manifestarem contra os regimes ditadoriais se começam a manifestar contra os poderios económicos, que nos últimos anos têm vindo a emergir no ocidente?  
Na Europa e América do Norte, as questões económicas sobrepuseram-se por completo às questões sociais, e nenhum governo pensa primeiro nos problemas sociais e depois nos nos problemas económicos. Mais, os governos optaram por dar subsídios a torto e a direito, em especial às classes mais desfavorecidas, como forma de os calar e assim evitar males maiores. Os subsídios não são nem mais nem menos uma forma de controlar as pessoas de modo a que estas não se manifestem ou não intentem contra o Estado. Não é com subsídios e a subsidiar tudo e todos que se desenvolve a economia de um país, mas os políticos optam por esta situação de modo a controlar as sociedades.
Os sistemas democráticos, que se cuidem e que comecem a pensar que não basta ter liberdade de expressão, liberdade de escolha dos governantes ou mesmo "comprar" as sociedades com subsídios que os ilíba de situações mais complexas como as que têm surgido no mundo árabe. Pode ser uma questão de tempo e com as poderosíssimas redes sociais, os ventos correm mais a favor dos manifestantes do que dos governantes.
Talvez seja altura dos sistemas políticos, neste caso os governos, se começarem a preocupar mais com as sociedades e com as questões sociais, em primeiro lugar, de modo a evitar surpresas no futuro. Portugal é já um bom exemplo de alguma instabilidade onde a corrupção e a mentira  andam de mãos dadas, a justiça não funciona, o governo completamente descredibilizado nacional e internacionalmente e a sociedade à beira de um ataque de nervos. Estão criadas as condições, o caminho está aberto e as redes sociais mais do que activas para desempenharem o seu papel.
Eduardo Dias

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Deolinda... "Parva que sou".

É sem dúvida a música do momento e por muitos já considerada o hino da juventude portuguesa.
Mas porquê? Provavelmente, o sucesso não se deve só à qualidade da "letra" ou da música, mas sim ao atual momento económico e social que o país atravessa.
Os Deolinda tiveram a feliz ideia de trazer de volta as músicas de intervenção, um pouco esquecidas desde os tempos do Zeca e do Fausto entre outros, como um sinal de que algo não está bem na sociedade portuguesa. As músicas de intervenção nasceram em Portugal nos tempos da ditadura e regressaram agora nos tempos da democracia, mas democracia essa que, ou é muito pobre, ou é uma democracia deturpada/encapotada por quem a pratica.
O Estado deixou de se preocupar com a "parte social" em detrimento da parte económica. E o governo, completamente desnorteado, passou a dar importância total ao "cidadão contribuinte", ignorando por completo o cidadão enquanto ser humano.
Neste contexto, quem acaba por sair mais prejudicada é a juventude, desprovida de valores, entregue a si própria, ignorada pelas instâncias políticas e presa "à casa dos pais". Foi aqui que os Deolinda foram buscar a inspiração e conseguiram uma "letra" que retrata o estado de espirito da juventude dos dias de hoje em Portugal. Pode dizer-se que foi a música certa na altura certa e os jovens reveem naquela letra aquilo que sentem na realidade, ou seja, o abandono por parte de um país que é seu, mas que não os protege nem se preocupa minimamente com eles.

"Parva que sou"  in Deolinda  (Vale a pena analisar a letra da música)

Sou da geração sem remuneração

E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração “casinha dos pais”
Se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração “vou queixar-me pra quê?”
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou
Sou da geração “eu já não posso mais!”
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Um recado ao País, um alerta à sociedade, um hino à juventude e uma reflexão às políticas sociais praticadas em Portugal e aos políticos que as praticam.
Parabéns aos Deolinda....
Eduardo Dias

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Função Pública/Empresas Públicas

Está encontrado e apontado o "patinho feio" de Portugal: A Função Pública e as Empresas Públicas. Criou-se nos últimos tempos uma espécie de ódio, por parte da população em geral, contra as Empresas Públicas e a Função Pública que é alarmante e em nada contribui para o bom funcionamento do País. Este sentimento de ódio deve-se em parte à avultada despesa do Estado, em que os mais leigos, a consideram resultante da Função Pública e das Empresas Públicas, o que não me parece, até porque Portugal é dos países da UE que menos gasta com os seus "funcionários".
O Estado ou melhor o Governo, em vez de proteger/defender os "seus funcionários", incentivando a produtividade, a qualidade do trabalho ou mesmo promovendo o diálogo prefere tratá-los de chicote na mão, enxovalhando-os na praça pública, retirando-lhes sistematicamente direitos e regalias, desprezando-os e pior do que isto, conseguiu passar para a opinião pública a imagem de que são eles os culpados da actual situação de crise económica.
Que moral tem este governo, liderado por um Primeiro Ministro inflexível e egocêntrico e por um Ministro das finanças em que já ninguém acredita inclusive os principais organismos europeus, para denegrir  e enxovalhar na praça pública uma parte da sociedade portuguesa? Que moral tem este governo, com um Primeiro Ministro "envolvido" nos maiores processos de corrupção do país (é um facto que ainda não condenado em nenhum deles, mas já se mudaram leis como a destruição das escutas, de processos em que estava envolvido e sempre ouvi dizer que "não há fumo sem fogo"), e que diz hoje uma coisa e passado pouco tempo é precisamente o contrário, para "roubar" parte do vencimento dos "seus funcionários"? Que moral tem este governo que funciona apenas com duas pessoas, o todo poderoso Primeiro Ministro e o Ministro das Finanças, em que os outros Ministros são "moços de recados" que vivem na sombra e subjugados aos dois primeiros, em continuar a insistir em medidas que vão levar à ruína muitos trabalhadores do sector do Estado?
Está a ser mau de mais para a Função Pública e Empresas públicas e começa a haver um certo sentimento de vergonha e mau estar por pertencer aos quadros de qualquer sector da Estado. Não são só a Função Pública e as Empresas Públicas os responsáveis da crise, somos todos os Portugueses, e penso que basta de "bater no ceguinho" por parte do governo e da comunicação social. Há uma certa euforia por parte da comunicação social, em especial SIC e TVI, quando o tema são os cortes salariais dos funcionários do Estado, o que é lamentável.
A arrogância, a inflexibilidade e o autoritarismo continuam a sobrepor-se ao diálogo entre todas as partes, por parte do governo, e o "patinho feio" de Portugal continua a ser a Função Pública e as Empresas Públicas.
Não creio que este seja o melhor caminho...
Eduardo Dias