sábado, 19 de fevereiro de 2011

As poderosas redes sociais!

Quando em novembro de 2009 escrevi neste Blog sobre as redes sociais, alertei para o seu "poder" e a força que estas têm junto da sociedade. Não me enganei e agora digo mesmo que mais do que poderosas, são poderosíssimas e capazes de desencadear até uma guerra mundial.
Elas são as principais responsáveis pelo que se está a passar actualmente no mundo árabe e o efeito "bola de neve" parece continuar e estender-se a outros países, fora do mundo árabe. Angola pode ser o próximo.
Tunísia, Egito, Yémen, Líbia, Jordânia, Bharain e Irão, já sofreram os efeitos das poderosas redes sociais, em que com um simples clik, se convocam, organizam e comandam manifestações contra os regimes políticos, nestes casos. Os efeitos tem sido catastróficos na maioria dos casos de tal modo que começam a custar dezenas de vidas humanas.
Até agora, tem alastrado no mundo árabe, mas imaginem que a situação tem efeito contágio e começa a alastrar mais para ocidente? E, se em vez de se manifestarem contra os regimes ditadoriais se começam a manifestar contra os poderios económicos, que nos últimos anos têm vindo a emergir no ocidente?  
Na Europa e América do Norte, as questões económicas sobrepuseram-se por completo às questões sociais, e nenhum governo pensa primeiro nos problemas sociais e depois nos nos problemas económicos. Mais, os governos optaram por dar subsídios a torto e a direito, em especial às classes mais desfavorecidas, como forma de os calar e assim evitar males maiores. Os subsídios não são nem mais nem menos uma forma de controlar as pessoas de modo a que estas não se manifestem ou não intentem contra o Estado. Não é com subsídios e a subsidiar tudo e todos que se desenvolve a economia de um país, mas os políticos optam por esta situação de modo a controlar as sociedades.
Os sistemas democráticos, que se cuidem e que comecem a pensar que não basta ter liberdade de expressão, liberdade de escolha dos governantes ou mesmo "comprar" as sociedades com subsídios que os ilíba de situações mais complexas como as que têm surgido no mundo árabe. Pode ser uma questão de tempo e com as poderosíssimas redes sociais, os ventos correm mais a favor dos manifestantes do que dos governantes.
Talvez seja altura dos sistemas políticos, neste caso os governos, se começarem a preocupar mais com as sociedades e com as questões sociais, em primeiro lugar, de modo a evitar surpresas no futuro. Portugal é já um bom exemplo de alguma instabilidade onde a corrupção e a mentira  andam de mãos dadas, a justiça não funciona, o governo completamente descredibilizado nacional e internacionalmente e a sociedade à beira de um ataque de nervos. Estão criadas as condições, o caminho está aberto e as redes sociais mais do que activas para desempenharem o seu papel.
Eduardo Dias

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Deolinda... "Parva que sou".

É sem dúvida a música do momento e por muitos já considerada o hino da juventude portuguesa.
Mas porquê? Provavelmente, o sucesso não se deve só à qualidade da "letra" ou da música, mas sim ao atual momento económico e social que o país atravessa.
Os Deolinda tiveram a feliz ideia de trazer de volta as músicas de intervenção, um pouco esquecidas desde os tempos do Zeca e do Fausto entre outros, como um sinal de que algo não está bem na sociedade portuguesa. As músicas de intervenção nasceram em Portugal nos tempos da ditadura e regressaram agora nos tempos da democracia, mas democracia essa que, ou é muito pobre, ou é uma democracia deturpada/encapotada por quem a pratica.
O Estado deixou de se preocupar com a "parte social" em detrimento da parte económica. E o governo, completamente desnorteado, passou a dar importância total ao "cidadão contribuinte", ignorando por completo o cidadão enquanto ser humano.
Neste contexto, quem acaba por sair mais prejudicada é a juventude, desprovida de valores, entregue a si própria, ignorada pelas instâncias políticas e presa "à casa dos pais". Foi aqui que os Deolinda foram buscar a inspiração e conseguiram uma "letra" que retrata o estado de espirito da juventude dos dias de hoje em Portugal. Pode dizer-se que foi a música certa na altura certa e os jovens reveem naquela letra aquilo que sentem na realidade, ou seja, o abandono por parte de um país que é seu, mas que não os protege nem se preocupa minimamente com eles.

"Parva que sou"  in Deolinda  (Vale a pena analisar a letra da música)

Sou da geração sem remuneração

E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração “casinha dos pais”
Se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração “vou queixar-me pra quê?”
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou
Sou da geração “eu já não posso mais!”
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Um recado ao País, um alerta à sociedade, um hino à juventude e uma reflexão às políticas sociais praticadas em Portugal e aos políticos que as praticam.
Parabéns aos Deolinda....
Eduardo Dias

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Função Pública/Empresas Públicas

Está encontrado e apontado o "patinho feio" de Portugal: A Função Pública e as Empresas Públicas. Criou-se nos últimos tempos uma espécie de ódio, por parte da população em geral, contra as Empresas Públicas e a Função Pública que é alarmante e em nada contribui para o bom funcionamento do País. Este sentimento de ódio deve-se em parte à avultada despesa do Estado, em que os mais leigos, a consideram resultante da Função Pública e das Empresas Públicas, o que não me parece, até porque Portugal é dos países da UE que menos gasta com os seus "funcionários".
O Estado ou melhor o Governo, em vez de proteger/defender os "seus funcionários", incentivando a produtividade, a qualidade do trabalho ou mesmo promovendo o diálogo prefere tratá-los de chicote na mão, enxovalhando-os na praça pública, retirando-lhes sistematicamente direitos e regalias, desprezando-os e pior do que isto, conseguiu passar para a opinião pública a imagem de que são eles os culpados da actual situação de crise económica.
Que moral tem este governo, liderado por um Primeiro Ministro inflexível e egocêntrico e por um Ministro das finanças em que já ninguém acredita inclusive os principais organismos europeus, para denegrir  e enxovalhar na praça pública uma parte da sociedade portuguesa? Que moral tem este governo, com um Primeiro Ministro "envolvido" nos maiores processos de corrupção do país (é um facto que ainda não condenado em nenhum deles, mas já se mudaram leis como a destruição das escutas, de processos em que estava envolvido e sempre ouvi dizer que "não há fumo sem fogo"), e que diz hoje uma coisa e passado pouco tempo é precisamente o contrário, para "roubar" parte do vencimento dos "seus funcionários"? Que moral tem este governo que funciona apenas com duas pessoas, o todo poderoso Primeiro Ministro e o Ministro das Finanças, em que os outros Ministros são "moços de recados" que vivem na sombra e subjugados aos dois primeiros, em continuar a insistir em medidas que vão levar à ruína muitos trabalhadores do sector do Estado?
Está a ser mau de mais para a Função Pública e Empresas públicas e começa a haver um certo sentimento de vergonha e mau estar por pertencer aos quadros de qualquer sector da Estado. Não são só a Função Pública e as Empresas Públicas os responsáveis da crise, somos todos os Portugueses, e penso que basta de "bater no ceguinho" por parte do governo e da comunicação social. Há uma certa euforia por parte da comunicação social, em especial SIC e TVI, quando o tema são os cortes salariais dos funcionários do Estado, o que é lamentável.
A arrogância, a inflexibilidade e o autoritarismo continuam a sobrepor-se ao diálogo entre todas as partes, por parte do governo, e o "patinho feio" de Portugal continua a ser a Função Pública e as Empresas Públicas.
Não creio que este seja o melhor caminho...
Eduardo Dias